O receio de utilizar remédios para controlar os sintomas do Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) em crianças é muito comum entre os pais. Você já se perguntou se deve medicar ou não seu filho com TDAH? Há relatos de efeitos colaterais importantes, observação de pouca ou nenhuma melhoria e ainda a preocupação de causar dependência em longo prazo. Se esse receio faz parte da sua realidade, vou destacar aqui alguns pontos que podem lhe ajudar a tomar uma decisão.
Avalie necessidades individuais
Primeiramente é preciso considerar que qualquer tipo de medicação pode causar efeitos indesejados no paciente, seja qual for o tratamento. É fundamental, portanto, que as crianças sejam acompanhadas de perto por um profissional capacitado, pode ser um neuropediatra ou um psiquiatra, que fará a análise correta da situação em cada caso. Estes profissionais podem ajustar doses, recomendar troca de medicação, avaliar os resultados e oferecer todo o suporte e acompanhamento. É muito comum que haja ajustes ao longo do processo. Cada organismo reage de uma forma diferenciada às medicações. E as crianças com TDAH costumam apresentar comportamentos e dificuldades diferentes umas das outras, daí a importância de avaliar individualmente suas necessidades.
Busque ajuda profissional
Se você já conta com um profissional de confiança, já tem o diagnóstico e indicação de remédio para seu filho mas, ainda assim, não se sente seguro para iniciar o tratamento, precisa colocar na balança algumas variáveis importantes: quais os prejuízos que seu filho apresenta na escola por conta do TDHA? ; quais as perdas que ele sofre em relação à socialização com outras crianças? ; e quais as dificuldades que, tanto ele quanto seus familiares, encaram na rotina do dia a dia por conta dos efeitos do Transtorno? Esses pontos têm peso importante na vida dele e da família? Ou são muitos leves os prejuízos, não chegam a comprometer seu desenvolvimento e amadurecimento?
Considere os ganhos
Se você avaliar que seu filho tem muitos prejuízos com o TDAH, pense no ganho em qualidade de vida que ele pode obter com a medicação. Porque isso é fato. A medicação, associada a outras intervenções como terapias e rotina adequada e controlada, resultam sim numa melhoria significativa dos sintomas. Então pense, avaliando sua situação, o que pesa mais: o receio de administrar uma medicação, ou os prejuízos do seu filho?
Para finalizar, destaco ainda outro ponto importante que pude observar em relação à minha filha, que tem TDAH e faz uso contínuo de medicação desde os 10 anos. À medida que avançamos no tratamento, percebi que, com o uso do remédio ela conseguiu desenvolver suas próprias estratégias para superar vários obstáculos que enfrentava diariamente. É como se ele a ajudasse a “ensinar” seu cérebro a funcionar de forma mais controlada. A medicação lhe deu o suporte que ela precisava para se desenvolver e amadurecer que, possivelmente, eu não conseguiria lhe proporcionar de outra forma.
Por isso avalie sempre, com o auxílio de um profissional, todos os prós e contras do uso da medicação, antes de rejeitá-la totalmente. Ela pode representar a chance que o seu filho tem de superar suas dificuldades com mais autoestima, confiança e bem-estar, e minimizar os prejuízos do TDAH.
Sandra Nebelung



