
O tempo que crianças e adolescentes têm passado em frente aos eletrônicos é preocupação crescente em todas as esferas sociais. Vivemos uma batalha com o tempo de tela. Tornou-se uma cena comum ver pais pedindo aos filhos que deixem os eletrônicos de lado e procurem outras atividades. Vemos crianças vidradas em celulares e tablets em restaurantes, automóveis ou até mesmo em rodas com outras crianças que também estão fazendo uso de telas. Mas não dá para imaginar essa nova geração fora do mundo digital. Eles interagem, se desenvolvem, avançam em conjunto com o mundo virtual. A questão é: como equilibrar o seu uso das tecnologias para que elas não prejudique aspectos emocionais e funcionais das crianças?

Somos sociáveis por natureza
Devemos lembrar que somos seres gregários, antes de tudo. Nossa natureza nos leva a socializar com nossos pares. E nosso cérebro cria aptidões voltadas à vida em sociedade, ao trabalho em equipe, à empatia. O mundo, como o conhecemos, nos ensina a agregar, trocar, compartilhar. Lembre que o próprio conceito de família, que nos dá tanta segurança, é algo que nos ensina a lidar com o outro, com as diferenças, com a união, com a convivência.
Então quando uma criança prefere estar diante de uma tela do que interagir com outras pessoas, é sinal de que pode estar desenvolvendo competências diferentes daquelas exigidas em todas as fases da vida. Não se pode esquecer o quanto as crianças amadurecem com o contato social, que lhes causa satisfação, assim como frustração, lhe oferece desafios e oportunidades contínuas de aprendizado. Por melhor que seja a concepção de um jogo eletrônico ou de um aplicativo, ele nunca substituirá o que o contato humano é capaz de fazer. Pode ter certeza!
É preciso controlar
Preste mais atenção no tempo que seu filho tem dedicado às telas. E avalie também o quanto você tem estado frente ao celular ou computador, ao invés de dedicar atenção ao seu filho. Às vezes nem percebemos que nosso exemplo pode ser o agente causador de muitos problemas. A tecnologia facilita nossa vida, mas também tem roubado nosso tempo de forma crescente. Dê preferência sempre ao diálogo. Pergunte aos seus familiares como foi o dia, o que aprenderam, o que aconteceu de divertido ou de curioso. A conversa é uma troca. Somos ouvidos e ouvimos, damos atenção e a recebemos, somos acolhidos e acolhemos. Não troque essa troca. Ela é única e necessária na construção do caráter e da história de cada um de nós.
Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o tempo de uso de telas adequado para cada idade. Confira e use como parâmetro para a rotina de seus filhos:
- De 0 a 2 anos de idade: não é recomendada a exposição a telas.
- De 2 a 3 anos de idade: a exposição a telas deve ser a menor possível, e nunca passar de uma hora por dia.
- De 3 a 5 anos de idade: a exposição a telas pode ser um pouco maior, mas ainda deve ser limitada a uma hora por dia.
- Dos 5 aos 17 anos de idade: a exposição a telas deve ser limitada a, no máximo, duas horas por dia.
Sandra Nebelung


