
Quando se fala sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), o que vem à mente de quem recebe o diagnóstico ou convive com alguém diagnosticado é angústia e preocupação. De fato, conviver com a falta de atenção e a hiperatividade 24 horas por dia é um desafio e tanto. Exige autoconhecimento, esforço, dedicação, disciplina e muita, muita força de vontade. as será que existe também um lado bom no TDAH? Sim, com certeza.
Quando a gente enfrenta um problema de cabeça erguida, com resiliência, adquire a capacidade de enxergar a vida além dele. Não é assim? Quem aí se identifica? O mesmo acontece com aqueles que decidem encarar e lidar com o TDAH como uma adversidade, igual a tantas outras que a vida nos traz. Mas não como uma sentença, um castigo, uma penalidade genética insuperável.
Uma forma única de pensar
Passada a fase de aceitação do diagnóstico, de compreensão e de tratamento do Transtorno, vem aquela que permite reconhecer que há sim um lado bom no TDAH. É como se um novo caminho surgisse à frente, muito mais iluminado, mostrando um cenário bem diferente que pode surpreender positivamente a cada passo.
Afinal, a forma de pensar de alguém com TDAH é única. O fluxo intenso de informações, o vaivém das ideias entre diferentes planos, a inquietação e a obstinação ocasionam um aumento exponencial da criatividade, da habilidade na busca por soluções e na compreensão do mundo à sua volta. Quem tem TDAH consegue sair facilmente do quadrado que lhe é imposto. E seguir em frente criando círculos, triângulos, retângulos que dão um outro sentido a tudo que vivemos.
Vai dizer que não é bom esse lado? É incrível! As maiores descobertas, as melhores invenções, os feitos mais notáveis da humanidade nasceram em cérebros questionadores, incansáveis, inconformados. Determinados em romper limites, chegar cada vez mais longe. Sair definitivamente do quadrado. Assumir o TDAH, com consciência, pode se tornar uma vantagem competitiva no brilhante jogo da vida.
Sandra Nebelung


